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Coimbra, 16 de Junho de 1957
Diário VIII

                                                                                  

Profecia

Algum dia há-de ser um novo dia,
se realmente o tempo se renova.
Sepulto nesta cova
De rotina,
A ver o sol pousar sobre a colina
Em frente,
Em vez me entregar ao sono paciente
De morrer,
Ponho-me a futurar o amanhecer.

 

E com toda a inquieta
Serenidade sacra dum poeta
Que descortina
A universal e própria salvação,
Vejo na imprecisão
Que a próxima alvorada
- ou ela, ou outra, ou outra, ou outra ainda –
Dará por finda
esta luz já monótona e cansada.

 

Miguel Torga
Profecia
Coimbra, 16 de Junho de 1957
Diário VIII

 


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