Manuel Madeira Base RETORNO  
do livro
"um Pouco de Infinito em Toda a Parte"
Penso com Palavras
actualizada em 20090214

Penso com palavras mas sinto as imagens

que elas sugerem ou os sentidos registam

e se reflectem nuas no espelho da memória,

seja o canto do galo pela noite fora

ou ao amanhecer repenicado e vibrante,

seja o verde das videiras e o vermelho das uvas,

o veludo dos pêssegos a aspereza arrepiante

das folhas das figueiras ou a acidez dos citrinos

multifacetada e doce.

 

Mas o que mais povoa o claustro silente

de abobadas suspensas dos aromas exóticos

é o cheiro penetrante e macio das estevas

escorrendo resina dos troncos viçosos

não obstante a secura que lhes mina as raízes.

 

Admiro a leveza e a lentidão das estevas

oscilantes persistentes mas presas à crosta

alimentadas apenas pela escassez do húmus,

matreiras à espreita da insensatez dos humanos

disputando palmo a palmo o pouco que resta

da terra arável abandonada ou esquecida

nela se instalam e avançam de olhos abertos

respondendo assim a quem os tem fechados.

 

 

  Manuel Madeira  
  200704  

     
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