Faro Barros Textos RETORNO
20040508
 DEUS

 

A forma mais simples e cómoda de se explicar tudo é acreditar num deus; seja ele Alá, Buda, Zeus ou Deus, ou qualquer outro.

Alivia muitas responsabilidades e não implica muito trabalho; é uma crença cómoda, confortante e dá esperança a quem muito sofre e deseja.

Você acredita em Deus, não é verdade?
E acredita que Deus nos fez à sua imagem e semelhança?
E que as virtudes com que, às vezes, somos dotados são à semelhança de Deus.

Acredita, também, certamente, que todos os seres da terra são a obra de Deus. E que Deus fez o mundo, não é verdade?

E também o Universo? E mesmo que os universos paralelos, se existem, foram obra de Deus. Pudemos assumi-lo também, não é verdade?

Logo acredita que Deus é infinitamente grande. E que contém em Si todas as dimensões existentes? Claro... incluindo o Tempo e dimensões que não conhecemos.

Deus Omnipotente, sem dúvida?
Omnisciente em consequência, não é?
E daí, que tem todas as virtudes que conhecemos e as outras?

Possuídas no mais alto grau, devemos reconhece-lo, não é assim?

Atento a tudo a cada instante? Atento a tudo o que criou, verdade?
Podendo intervir quando quiser e como quiser, para ser completo, não é assim?
Infinitamente justo, sem dúvida, não é?

Mais justo que todos os justos.

E que os desejos de justiça e iguais oportunidades para todos, virtudes com que, às vezes, somos dotados, são à semelhança de Deus – como aceitou no início, não é verdade?

Então porque é que aquele bebé morreu, ontem, queimado num incêndio, provocado pelo desleixo dos pais?
Então porque é que morrem todos os dias milhares de crianças, de fome e maus tratos, em todo o mundo?

E porque é que você, seu manipanço, pecador, pecaminoso, vive de barriga farta, à grande e à francesa, comendo de mais e gastando de mais aquilo que falta aos outros?

Será que a sua noção de Deus responde a tudo, ou tem que se abrigar aos conceitos vagos de crença e fé, para tapar os buracos?

Faro Barros

2070324