Faro Barros Textos RETORNO
Colocado em 20090428 As Árvores

 

Para nós, aos 81 anos, as mulheres são como as árvores.

Se são belas e jovens admirámos a sua beleza, as flores de que se ataviam, como as magnólias.

Mas também é o porte, a postura, a textura da casca, o cheiro, perfume a eucalipto, a tília... que nos enleva.

Mas, para nós, longe estão os tempos da primavera em que o vigor nos levava a trepar aos ramos mais altos para colher as cerejas mais rubras, os frutos mais maduros.

E, por isso, se são novas, o bom senso e a vergonha do que agora somos, leva-nos a proceder como a raposa da fábula... estão verdes, não prestam.

Se são idosas admiramos, muitas vezes com pena, o que o escorrer do tempo fez delas.
Que verdura e encanto, que alegria e vivacidade foi possível transformar-se nesta textura seca e rugosa... neste aspecto duro, calculado...

Neste caso, se são velhas, com casca igual à dos sobreiros, ainda poderemos acolhermo-nos à sua sombra, protegidos da luz do sol em longas meditações e solilóquios.

Mas se são de meia-idade, na casa dos quarenta, como vamos nós, agora, aguentar tanto fervor?

Faro Barros

20090421