Faro Barros Textos RETORNO  
Arte- O que é? Arte - O que é?
20070914

 

 

E já não era a primeira vez que os estudos e pensamentos dele o levavam a conclusões que lhe pareciam inéditas.

Bastava-nos folhear algumas das suas notas, para encontrarmos apontamen- tos como este:

 
 

“- Preocupa-me o conceito de Arte. Porquê o bonito... o belo?!

A forma... a cor... o som... e até o gosto e o tacto, seriam Arte traduzidos pelos nossos sentidos de tal modo que, quando excitados com certa composição vibratória, nos levam a uma sensação de bem-estar, plenitude e admiração que tentamos traduzir pelas palavras belo e bonito?

 
 
 

Nefertiti, a faraó deusa, teria nas faces o formato que irradiava de si essas vibrações privilegiadas?

 

 

E é agora que me parece que deve haver acordes dessas vibrações que entram em ressonância com os nossos circuitos neurónicos, dando-nos essa sensação de prazer e beleza sempre que estamos perante uma obra de arte ou arte da natureza – uma pedra, uma montanha, um por do sol...

E suspeito, uma vez mais, que o chamado “tijolo de Deus” está no cerne desta característica. O Phi, aquela quantidade mágica igual a 1.61803... – que eu, agnóstico, gosto de chamar “tijolo dos deuses” – aparece em toda a parte.

Recordo-me dos cinco sólidos regulares possíveis no mundo tridimensional – tetraedro, hexaedro, octaedro, dodecaedro, icosaedro, só espantosamente cinco, comparados com o número infinito de figuras de lados iguais possíveis de se desenhar numa folha de papel.

 

E nestes, o dodecaedro formado por faces pentagonais ocupa um destaque especial; é que quando se prolongam as arestas de uma face obtém-se o signo pitagórico que, como selo, identificava a Irmandade Pitagórica, qual senha de entrada no mundo matemático desse génio que existiu nos idos de 580 A.C.
 

E nesse signo a relação dos segmentos formados é Phi, como acontece na razão entre os lados do “Rectângulo de Ouro” ou na relação entre as partes de um segmento cortado pela secção de ouro (o comprimento está para a secção maior assim como a secção maior está para a secção menor), cocientes a que correspondem o valor de Phi.

O que nos leva a pensar nesse mistério e porque é que em todos estes casos são sempre mais apelativas e mais belas esta proporções, como já o teria tentado provar Vitrivius no Império Romano (“Homem de Vitrivius”, estudado por Cesare) e Leonardo da Vinci, muito mais tarde (em 1490), ao procurar as proporções divinas da figura humana.

E já os gregos conheciam e usavam esta relação no rectângulo de ouro, como pode ver-se no Pártenon.

Mas também o quadrado e o círculo....as séries de Lucas e em especial a série de Fibonacci... a espiral logarítmica... a espiral do girassol... as conchas... tudo nos conduz na natureza, na matemática e na geometria ao número mágico Phi, de forma a mais das vezes escondida. Porquê? E para quê?

 

Porquê também as cores complementares (vermelho/ciano amarelo/azul verde/magenta)? Que proporção entre  as frequências? Que característica escondem?

E na música que mal conheço, como será?

Parece que aqui também o número de ouro tem a sua influência.

Diz-se (será verdade?) que Stradivarius usava a secção de ouro no projecto dos seus violinos. E parece que as séries de Fibonacci estão directamente relacionadas nas escales musicais ocidentais.

Infelizmente a cultura musical não faz minimamente parte do meu equipamento cultural, e por isso mesmo não me atrevo a entrar nesse campo.

Imagino circuitos integrados no cérebro – como “chips” que já são colocados sob a pele dos cães, e agora também nas pessoas (neste mundo Orwelliano) – que entram em auto-excitação (a chamada ressonância), quando certas ondas vibratórias os atingem. Essas ondas, constituídas por uma nota fundamental e diversos harmónicos (de frequências submúltiplas da fundamental) devem conter em si o segredo dos deuses, o número Phi. Mas como?

A Arte, a Obra de Arte não tem de ser considerada, como se pensa e diz, sob o prisma exclusivo da cultura e/ou sociologia, embora também sejam partes integrantes dela.

Esqueçamos os autores (o pintor, o escultor, o compositor, o bailarino) e fixemos a nossa atenção sobre a obra.
Se a mesma obra fosse moldada pelas forças da natureza seria ela menos arte para o observador? Não creio.

E penso e descubro de repente que os tijolos da construção artística são – devem ser – objectos singulares.

E chamo-lhes objectos singulares, porque num conjunto há quase sempre, senão sempre, alguns objectos do conjunto com características que os restantes elementos do grupo não possuem.

Assim, e para tornar claro:

De todo os triângulos possíveis, o triângulo equilátero é um elemento que apodo de singular. Também o triângulo isósceles e o triângulo rectângulo o são.

E quando vejo um destes triângulos singulares há uma simbiose (afinidade para com eles), cuja origem proponho mais abaixo.

De todas as rectas possíveis, penso que também são componentes para a Arte as que se cruzam num ponto (perspectiva) e formam um conjunto singular. Também as paralelas, as verticais (elevação dos sentidos) e as horizontais (a Linha de Terra). E as linhas perpendiculares entre si (a cruz e signos religiosos). Tudo objectos singulares.

São ainda figuras singulares a circunferência, o círculo, o quadrado, os rectângulos de Ouro (recordo Phi), o Signo Pitagórico.

Os cinco e só cinco sólidos regulares existentes (faces iguais): tetraedro, hexaedro, octaedro, dodecaedro, icosaedro.

E ainda, na música, o Dó normal (120 Hz), uma frequência sonora e os seu harmónicos.

O silêncio musical e o ruído absoluto.

As cores primárias (vermelha, verde, azul), e as secundárias (amarelo, ciano, magenta). Também o preto e o branco.

Cada conjunto de cores complementares (como Vermelho/Verde ou Magenta/Ciano). E porquê?

O Sol e a Lua. E muitos mais objectos singulares há, certamente.

E não é de espantar que em todas as Obras de Arte se encontrem pelo menos um ou mais destes objectos singulares – sem o que suponho não há Arte –, muitas das vezes de forma escondida e/ou ambígua, responsáveis pela sensibilização de determinados circuitos neurónicos.

E penso que alguém virá a descobrir no futuro, quer lhe agrade ou não, os circuitos neurónicos que entram em ressonância quando os nossos sensores detectam estes componentes.

Um fenómeno como o orgasmo, de modo diferente mas, apesar de tudo, semelhante.

Alguns ficam chocados e não nos querem tão robotizados; e temem as consequências de os objectos de arte puderem a vir ser programados. 

Mas ciência é ciência, conhecimento puro acumulado, e não deve preocupar nem pode interessar aos investigadores a sua finalidade. A utilização das descobertas da ciência (a técnica) essas sim pertencem à sociologia, e são da nossa responsabilidade social e política.

Einstein não aprovou certamente, a utilização da fissão do átomo para a eliminação de centenas de milhares em Hiroshima e Nagasaki.

E estes circuitos neurónicos, se existem, devem a sua origem aos seguintes factores:

- Porque estão geneticamente inseridos no nosso ADN – por quem nos fabricou?!

- Porque são novos circuitos gerados (ou excitados) pela cultura que adquirimos – a memória colectiva das civilizações – e nos diferenciam sempre do vizinho do lado.

- Ou ampliações, dos geneticamente inseridos no nosso ADN, também pela cultura que adquirimos, como no caso anterior.

E por isso eu possuo circuitos neurónicos que pertencem ao meu ADN e que são complementados por outros ou ampliados por outros que se vão formando à medida que adquiro cultura.

E é por tudo isto que, suponho, a arte nos permite ascender a níveis mentais superiores.”

 

  Um ano passou. Um ano não; mais exactamente 18 meses porque estávamos agora em fins de Setembro princípios de Outono...

 
Faro Barros
20050518

 

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