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Predras Soltas (01) Predras Soltas (01)
em 20071027

 

  Predras Soltas  
 

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Era pequeninho
quando gatinhava
era mesmo velho
quando tropegava
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Tinha um gosto amargo
sabia a limão
bebeu-o de um trago
e não quis mais não
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O dragão tossiu
e o rato
fugiu
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Estava linda
a manhã
quando comi
aquela romã
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Com um guarda-chuva
em dia de vento
volteava e virava
como um cata-vento
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Saltitava a velha
por aquela estrada
veio um camião
que morte azarada
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Era um automóvel
que na curva da estrada
acabou em nada
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A louva-a-deus
parada... rezava
e pedia aos céus
comida prós seus
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Eu não queria a sopa
não queria comer
amava-te... lorpa
só te queria ver
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Naquela varanda
olhavas pró céu
cá em baixo... eu
via o gineceu
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Estava alta a Lua
na noite de inverno
e tu, toda nua...
que noite de inferno!
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Borboleteava
entre a multidão
não sabia que estava
numa contra mão
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Saltava pró ar
pensava em voar
mas a gravidade
grudava-o ao chão
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tinha um gosto amargo
sabia a limão
bebeu-o de um trago
e não quis mais não
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Era rico e lindo
e ia vivendo...
e lá se foi indo...
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Andava a cantar
de tanta alegria
apareceu-lhe a Morte
terminou-lhe o dia
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A morte chegou
muito delicada
sentou-se-lhe em cima
e ele abafou  
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Tinha um gosto amargo
sabia a limão
bebeu-o de um trago
e não quis mais não
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Era uma pessoa
que no fim da estrada
acabou em nada  
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Faro Barros

 
20071026  

     
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