Faro Barros RETORNO
Vergonhas na SIC Mário Crespo
Colocado em 20070831

 

Quando, há dias, Mário Crespo convida Francisco Louça e depois Garcia para um entrevista a propósito de transgénicos e dos acontecimentos dos últimos dias com o movimento Verde Eufémia, fico chocado ao ver que em vez de entrevistas conduz um despudorado julgamento.

  Mário Crespo não quer saber da opinião dos interlocutores ou esclarecer-nos um pouco sobre a problemática dos transgénicos; quer, sim, mostrar a todos os espectadores que eles, Francisco Louçã e Garcia, são uns foras-da-lei que estão comprometidos com os piores aspectos dos acontecimentos dos últimos dias.

  E para conseguir os seus objectivos não os deixa expor um ponto de vista até ao fim, interrompe-os sempre que a conversa não segue os seus propósitos de incriminação, com prejuízo para nós, espectadores.

  Da sua panóplia de jornalista, Mário Crespo cola à face aquele riso/sorriso meio cúmplice, meio alvar, meio gracejador, que induz simpatia e esconde intenções.

  E usa, para os comprometer, imagens com um vândalo que pontapeia alguém pelas costas; repete essa imagem até à exaustão, num processo nauseabundo de extorsão da confissão que pretende.

  Procura descredibilizar Garcia, perguntando-lhe: "quem é que lhe paga?" como se de um mercenário se tratasse e não de um universitário estudioso. E como pela resposta verifica que ninguém lhe paga, insinua logo comprometimentos com a Rússia onde estagiou, e daí com o comunismo. Como se isso fosse relevante para o problema dos transgénicos, mas que serve sem dúvida os seus intentos de manipulação do jornalismo em favor de política reles de vão de escada.

  O mesmo se passou num dos dias anteriores com a entrevista a Francisco Louçã.

  Tudo dentro de igual esquema de obtenção de confissão a todo o custo (tipo policial), de criminosos que devem ser expostos no pelourinho público antes que os interesses de quem lhe paga, a ele, Mário Crespo, sejam atingidos.

 

Não foi uma entrevista para esclarecimento dos espectadores; foi uma vergonha, agravada no dia seguinte pela exposição parcial e escolhida de trechos, com uma voz acrescentada em fundo (que não fazia parte da entrevista), voz feminina adequadamente suave, mas incisiva, acrescentada para nos induzir às convenientes conclusões incriminatórias.

Quanto ao problema do milho geneticamente modificado, da sua bondade ou nocividade, não ficamos a saber nada. Mas ficamos cientes: para Mário Crespo, na dúvida, porque há dúvidas para todos, deve-se seguir em frente e semeá-lo.

  Mesmo que dentro de dias se chegue à conclusão que é pernicioso ao mundo em que vivemos, e que o disparate tem consequências irreversíveis, embora seja vantajoso para muitos interesses económicos; como vem sendo usual nestas soluções políticas degradantes do século XXI, sempre subordinando o interesse geral da humanidade à ganância de uns poucos, poucos mas com desmedida influência e capacidade de pressão sobre governos mais ou menos corruptos.

Mau serviço da SIC à sociedade. E é pena!

  Como é pena que 150 indivíduos não tenham pensado que deviam simultaneamente acautelar os interesses do proprietário da safra, pião intermédio inconsciente no tabuleiro do jogo.

É pena, Mário Crespo, que vás por esse caminho.

Porque até poderias vir a ser um jornalista de referência, como por vezes tens sido.
É pena!

 

 

Nota – o tu cá tu lá dos dois parágrafos finais serve para vincar que não me refiro ao indivíduo Mário Crespo(que não conheço),mas ao jornalista da SIC, figura pública de todos nós.

Faro Barros

 


     
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